Comentários sobre a displasia coxofemoral canina.

   

   Olá, vamos tecer alguns comentários sobre tudo o que pesquisamos, estudamos e  analisamos sobre o assunto que é o “bicho-papão” de nós criadores e de muitos proprietários de cães, por isso gostaríamos deixar registrado aqui no nosso site um pouquinho do que pensamos sobre tudo isso.

   Uma das maiores nossas preocupações aqui no Aureum Canis é a displasia coxofemoral canina ou displasia de quadril canina. Já nos deparamos com diversos relatos e conceitos sobre essa doença e o que nos parece mais claro e objetivo é o seguinte:  que é uma doença de má-formação genética, com degeneração da articulação do quadril dos cães e que envolve principalmente estruturas como a cabeça do fêmur, a cápsula articular e o acetábulo (local onde se encaixa a cabeça femoral).

   Uma definição complementar afirma que a displasia coxofemoral é definida como um desenvolvimento anormal da articulação do quadril, uma doença multifatorial desencadeada por uma predisposição genética.

 

  O que seria uma doença multifatorial? Seria um tipo de doença que o indivíduo nasce com uma predisposição genética, mas poderá ou não manifestar a doença ao longo da vida, dependendo de muitos outros fatores, tais com, ambiente, piso, alimentação, etc.... 

   Quantos aos animais que são diagnosticados por essa doença, sabe-se que o mesmo nasceu com uma predisposição genética, e este é o motivo de não devermos utilizá-los na reprodução, para não transmitir aos seus herdeiros a predisposição genética para desenvolver a displasia. 

   De tudo que já pesquisamos e vimos sobre a displasia, podemos afirmar que é uma doença progressiva (piora com o tempo) e que leva à alteração das articulações e os sinais dependem do grau da doença e da resistência à dor de cada cão. Os mais fáceis de serem observados são dificuldade em se levantar, mudança na postura devido à dor, incapacidade de ficar de pé, deixar de fazer atividades que antes eram comum, andar cambaleante, entre outros.

  Acreditamos que a melhor forma de prevenir de ter um cãozinho com displasia e seguir alguns cuidados que se iniciam na escolha de um animal proveniente de um criador responsável e que atue com controle de displasia no seu plantel, bem como:

1- Devemos evitar dar suplementos como cálcio ou arnica, pois eles são prejudiciais na fase de crescimento dos cães;

2- Fornecer ao animal uma alimentação de boa qualidade;

3- Tomar muito cuidado com as “guloseimas”, dar preferência na escolha uma fruta pouco calórica que ele, para evitar o sobrepeso que pode forçar as articulações;

4- Manter uma atividade física regular e moderada, para que o animal tenha uma massa muscular apropriadamente desenvolvida sem exageros é muito importante na fase de crescimento;

5- Manter o animal em local local arejado, com água fresca a vontade, e, principalmente  com piso do tipo não-liso de preferência, também para não prejudicar as articulações.

   Cuidados como esses podem ajudar a não potencializar o desenvolvimento da displasia coxofemoral, caso ele seja portador do gene que “dispara” a doença. 

   O Diagnóstico da displasia coxofemoral é feito com radiografias da articulação coxofemoral (quadril) com sedação, também conhecido por "laudo de displasia". Após a avaliação radiográfica o veterinário especializado emite um laudo com a classificação do animal, que varia entre excelente /boa (A), razoável/limítrofe (B), para animais displásicos leve (C), moderada (D) ou grave (E).

   Quanto à incidência da doença e para reduzir a sua freqüência, é necessário que os programas de criação e seleção para acasalamento alcancem resultados satisfatórios. Para esse controle é preciso que haja a compreensão e a participação de médicos veterinários, proprietários e criadores na divulgação dos procedimentos de criação e na necessidade de exames radiográficos para a classificação e a seleção dos animais.

  Um criador responsável têm o dever de avaliar seus animais, e nunca procriar nenhum animal com laudo desfavorável para a condição de reprodução, ainda que os mesmos aparentem ser saudáveis. Muito cuidado com o criador que não faz laudo de displasia da articulação e procria os animais indiscriminadamente, pois isto provoca o nascimento de muitos filhotes que desenvolvem a doença, e aumenta a prevalência da doença na raça.

   A literatura que encontramos não é 100% conclusiva quanto ao percentual de incidência de displasia coxofemoral, pois, para que os valores sejam totalmente confiáveis, deveria haver uma maior quantidade de exames realizados. De qualquer sorte e apenas à título de ilustração, encontramos no site https://www.ofa.org/diseases/breed-statistics#detail estatísticas dos EUA que apontam a incidência de displasia coxofemoral  de 17,8% nos Beagles e de 20,1% nos Goldens Retrievers testados. o que demonstra a importância do controle da doença nos cruzamentos. 

  Diante de todo o exposto, acreditamos que não basta somente escolher um filhotinho de um criador de boa procedência (isso é essencial, no entanto, é apenas a primeira parte da prevenção), mas também, por se tratar de uma doença multifatorial e não exclusivamente genética,  devemos nos preocupar diariamente com o meio em que o nosso animal vive e se desenvolve, pois a prevenção é a melhor atitude que podemos tomar em prol da saúde dos nossos cães.

Aureum Canis.